A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu, nesta terça-feira (3), a investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha e os maus-tratos sofridos pelo cão Caramelo, em Florianópolis.
Como resultado, foi solicitado à Justiça o pedido de internação de um adolescente apontado como responsável pela morte de Orelha.
No caso Caramelo, quatro adolescentes foram responsabilizados, e três adultos foram indiciados por coação a testemunha.
As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA), ambas da Capital, com apoio de uma força-tarefa envolvendo as forças de segurança do Estado.
O cão comunitário Orelha foi atacado na madrugada do dia 4 de janeiro, por volta das 5h30, na Praia Brava, no Norte da Ilha.
Conforme laudos da Polícia Científica, o animal sofreu uma pancada contundente na cabeça, possivelmente provocada por chute ou por objeto rígido, como madeira ou garrafa.
Orelha foi resgatado por populares no dia seguinte, mas morreu em uma clínica veterinária em decorrência dos ferimentos.
Para identificar o autor, a Polícia Civil analisou mais de mil horas de imagens captadas por 14 equipamentos de monitoramento na região.
Apuração
Ao todo, 24 testemunhas foram ouvidas e oito adolescentes foram investigados, informou a PCSC.
A apuração também contou com provas materiais, como roupas utilizadas no momento do crime, além do uso de um software de origem francesa para análise de localização do suspeito no horário do ataque.
Segundo a investigação, o adolescente saiu de um condomínio na Praia Brava às 5h25 e retornou às 5h58 acompanhado de uma amiga, o que contradiz seu depoimento inicial, no qual afirmou ter permanecido no interior do condomínio.
As imagens e demais provas confirmaram que ele esteve fora do local no período do crime.
No mesmo dia em que a Polícia Civil identificou os suspeitos, o adolescente viajou para fora do Brasil, retornando apenas em 29 de janeiro, quando foi interceptado pela Polícia no aeroporto.
Na ocasião, um familiar tentou ocultar um boné e um moletom usados no dia do crime, peças consideradas relevantes para a investigação.
A Polícia Civil destacou ainda a necessidade de preservar o sigilo da apuração para evitar fuga, descarte de provas ou destruição de elementos como aparelhos celulares.
Inquérito
O inquérito seguiu os trâmites previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e foi concluído após o depoimento do investigado.
Com base na gravidade do caso, a Polícia Civil solicitou a internação do adolescente, medida equivalente à prisão no sistema adulto.
Os procedimentos foram encaminhados ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.
A análise dos dados extraídos dos celulares apreendidos ainda poderá reforçar as provas já obtidas e trazer novos elementos à investigação.



