A Meta e o Google começam a enfrentar nesta semana um julgamento no Tribunal Superior da Califórnia, nos Estados Unidos, acusadas de alimentar uma crise de saúde mental entre jovens por meio das plataformas Instagram e YouTube.
O processo envolve uma jovem de 19 anos, que afirma ter desenvolvido dependência das redes sociais quando ainda era menor de idade, em razão de escolhas de design consideradas viciantes.
Segundo a ação, o uso intensivo dos aplicativos teria contribuído para quadros de depressão e pensamentos suicidas.
De acordo com a acusação, as empresas teriam adotado estratégias deliberadas para aumentar o tempo de permanência de crianças e adolescentes nas plataformas, com o objetivo de ampliar lucros, sem considerar os impactos na saúde mental dos usuários mais jovens.
Este é o primeiro de uma série de processos semelhantes que devem ir a julgamento ao longo do ano nos Estados Unidos e pode se tornar um marco jurídico para a responsabilização de grandes empresas de tecnologia.
A seleção do júri começa nesta semana e deve durar alguns dias. O julgamento pode se estender por até oito semanas, segundo a Associated Press. Executivos das empresas, incluindo o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, devem depor.
O júri vai analisar se Meta e Google foram negligentes ao oferecer produtos que teriam prejudicado a saúde mental da jovem e se o uso das plataformas teve papel determinante em seus problemas, em comparação a outros fatores, como experiências fora do ambiente digital.
As empresas se apoiam em uma lei federal que isenta plataformas digitais de responsabilidade pelo conteúdo publicado por usuários. Uma eventual condenação pode abrir precedente para enfraquecer essa proteção jurídica, utilizada há décadas pelo setor.
Especialistas comparam o caso aos processos contra a indústria do tabaco nos anos 1990, que resultaram em acordos bilionários e restrições ao marketing voltado a menores de idade.
A Meta sustenta que seus produtos não causaram os problemas de saúde mental da autora da ação. Já o Google afirma que o YouTube é diferente de redes sociais como Instagram e TikTok e não deve ser enquadrado da mesma forma.
Inicialmente, o processo também incluía TikTok e Snapchat, mas ambas as plataformas fecharam acordos extrajudiciais e ficaram fora da ação. Os termos dos acordos não foram divulgados.
O caso é visto como um teste decisivo sobre até onde vai a responsabilidade das redes sociais pelos impactos de seus produtos na saúde mental de crianças e adolescentes.



