A Polícia Federal identificou um suposto esquema de lavagem de dinheiro que utilizava empresas intermediárias, contratos simulados e prestadores de serviço formais para dar aparência de legalidade a repasses financeiros. As informações fazem parte da decisão do Supremo Tribunal Federal que autorizou a terceira fase da Operação Compliance Zero.
De acordo com a investigação, empresas com CNPJ regular firmavam contratos de consultoria ou prestação de serviços que, na prática, serviam para justificar transferências de recursos a servidores públicos, integrantes de um grupo de vigilância privada e operadores do esquema.
No topo da estrutura estaria o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como principal articulador. O dinheiro sairia da empresa Super Participações e Empreendimentos S.A., ligada ao grupo econômico do banco, passando por companhias intermediárias. Uma delas seria a Varajo Consultoria Empresarial, considerada pelos investigadores como uma “conta de passagem”, utilizada para receber pagamentos por supostos serviços e repassá-los a terceiros.
Segundo a PF, o objetivo era criar várias camadas entre a origem dos recursos e os destinatários finais, dificultando o rastreamento. Parte dos valores teria sido destinada a integrantes de um grupo conhecido nas investigações como “A Turma”, coordenado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão. Ele receberia cerca de R$ 75 mil mensais, além de bônus.
As transferências seriam operacionalizadas por operadores financeiros ligados ao grupo, responsáveis por executar pagamentos e organizar as movimentações.
A investigação também aponta que servidores de alto escalão do Banco Central teriam atuado como consultores informais do banco. Para remunerá-los, o grupo teria criado contratos simulados de consultoria por meio das empresas intermediárias. As mensagens interceptadas pela Polícia Federal indicariam cobranças por pagamentos relacionados a essas supostas consultorias.
Outro ponto investigado envolve ocultação patrimonial. Em janeiro de 2026, a PF identificou mais de R$ 2,2 bilhões depositados em uma conta em nome do pai do banqueiro, o que, segundo os investigadores, seria uma forma de dificultar a vinculação direta dos recursos ao controlador do banco.
A apuração também analisa transferências bilionárias entre o Banco Master e o Banco de Brasília. Entre julho de 2024 e outubro de 2025, o banco público teria transferido R$ 16,7 bilhões por meio da compra de carteiras de crédito consideradas inexistentes ou superavaliadas. Inicialmente, esses créditos estavam vinculados a associações de servidores públicos, mas posteriormente teriam sido transferidos para uma empresa recém-criada sem histórico operacional.
Para a Polícia Federal, o conjunto das operações indica o uso de contratos aparentemente legítimos como fachada para movimentações ilegais ligadas à corrupção e à lavagem de dinheiro.
Ao analisar as provas reunidas, o ministro do Supremo Tribunal Federal responsável pelo caso afirmou haver indícios de uma organização criminosa com grande capacidade de reorganização e mecanismos sofisticados para ocultar recursos e influenciar agentes públicos.
Com base nessa avaliação, o STF determinou a prisão preventiva de alguns investigados e o afastamento de servidores do Banco Central citados na investigação, além da proibição de contato entre os alvos da operação. Segundo a decisão, a medida busca evitar interferência nas apurações e impedir a continuidade das atividades investigadas.



