Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina em parceria com a University College London, do Reino Unido, revelou um dado alarmante sobre a saúde mental na terceira idade: a maioria dos idosos brasileiros que apresentam sintomas depressivos vive sem um diagnóstico médico formal.
A análise, baseada em dados de 6.872 pessoas com mais de 60 anos, aponta que entre os idosos que relataram se sentir deprimidos, apenas 37,3% receberam confirmação clínica. Isso significa que, na prática, 6 a cada 10 idosos com sofrimento emocional não recebem o tratamento adequado por falta de identificação da doença.
De acordo com os autores do estudo, o subdiagnóstico ocorre porque sintomas clássicos da depressão são frequentemente negligenciados ou confundidos com características da velhice.
O levantamento identificou grupos mais vulneráveis à condição:
- Mulheres apresentam um risco 2,23 vezes maior de desenvolver a doença.
- Idosos com até oito anos de estudo e baixa escolaridade são mais afetados.
- O sedentarismo é um fator de risco determinante.
- Doenças crônicas como diabetes e hipertensão, que causam dor, intensificam os quadros depressivos.
Os pesquisadores da Ufsc destacam que a depressão não faz parte do envelhecimento natural e deve ser tratada com a mesma seriedade que doenças crônicas. O estudo defende que as unidades de saúde do SUS treinem equipes para valorizar o autorrelato dos idosos, combatendo a tendência de normalizar a solidão e a tristeza nesta fase da vida.
A recomendação para as famílias é ficar atento a sinais como isolamento, descuido com a aparência e a sensação relatada pelo idoso de ser um “peso” para os outros, buscando ajuda profissional imediatamente.



