sexta-feira, 22 de maio de 2026
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22 de maio de 2026

11 anos de prisão: vice-prefeito de Lages bateu BMW tentando fugir do Gaeco após ser condenado

Vice-prefeito de Lages é condenado a 10 anos e 11 meses de prisão por lesão corporal, cárcere privado, constrangimento ilegal e perseguição. Ele fugiu do Gaeco e bateu BMW contra caminhão na BR-116.

O vice-prefeito de Lages, Jair Júnior, foi condenado a 10 anos e 11 meses de prisão por crimes de violência contra mulher. A sentença foi proferida pela 2ª Vara Criminal de Lages nesta quinta-feira (21) e inclui a perda do mandato eletivo. A decisão foi confirmada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que ajuizou a ação penal. O processo tramita sob sigilo.

As penas se referem aos crimes de lesão corporal, cárcere privado, constrangimento ilegal e perseguição, todos praticados contra uma ex-companheira. A denúncia foi apresentada pelo MPSC em abril de 2025, após investigação sobre episódios de violência doméstica.

Após a expedição do mandado de prisão, a 2ª Vara Criminal de Lages requisitou o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para cumprir a ordem judicial. Segundo o MPSC, o Gaeco foi acionado em razão das especificidades do caso e da expertise do grupo em diligências envolvendo agentes políticos.

Durante a tentativa de cumprimento do mandado, Jair Júnior fugiu de carro. A fuga terminou em uma colisão frontal na BR-116, no Km 247, na Serra Catarinense, por volta das 20h. A BMW branca que ele conduzia bateu de frente com um caminhão contêiner que seguia no sentido Vacaria. A frente do veículo ficou completamente destruída e o carro chegou a pegar fogo. Imagens do local mostram agentes do Gaeco ao redor do vice-prefeito, que estava caído no asfalto sendo atendido.

Segundo relato de socorristas, Jair Júnior foi encontrado fora do veículo, consciente e orientado, com ferimentos em membros superiores e inferiores e suspeita de fraturas nas duas pernas. Ele foi estabilizado pela equipe da USA do SAMU e encaminhado ao Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, em Lages. Ambos os sentidos da rodovia foram interditados por volta das 20h40. Equipes da PRF, Corpo de Bombeiros e da concessionária Autopista também atuaram no local.

O caso que levou à condenação começou em março de 2025, quando Jair Júnior foi preso em flagrante sob acusação de violência doméstica. Na ocasião, ele foi solto no mesmo dia após audiência de custódia e pagamento de fiança. O inquérito que embasou a denúncia do MPSC revelou episódios graves. Conforme apuração do Portal Upiara, que teve acesso aos autos, a vítima teria sido levada contra a vontade para uma residência, onde foi mantida com portas trancadas, teve o celular tomado e foi impedida de sair ou pedir ajuda. O vice-prefeito também teria utilizado o perfil institucional da Semasa, autarquia que presidia na época, para monitorar a rotina da vítima pelo Instagram, acompanhando publicações e identificando deslocamentos. Uma segunda ex-namorada também apresentou denúncia contra ele, conforme revelado pelo Portal Upiara.

Em novembro de 2025, mesmo já sendo investigado por violência doméstica, Jair Júnior voltou a ser assunto em Lages. Um vídeo gravado por um morador e compartilhado nas redes sociais mostrou o vice-prefeito circulando na mesma BMW branca, acompanhado de várias mulheres, algumas segurando bebidas e uma delas em pé dentro do veículo em movimento. O morador que registrou a cena comentou que a situação seria “uma vergonha” para o município. Segundo publicações nas próprias redes sociais do vice-prefeito, ele havia participado na noite anterior da formatura de uma sobrinha.

Além da condenação por violência doméstica, Jair Júnior também responde por dano ao patrimônio público. O MPSC o denunciou por ter furado o pneu de um carro oficial utilizado pela prefeita Carmen Zanotto. Imagens de câmeras internas da prefeitura indicaram que ele foi a única pessoa a se aproximar do veículo no dia do dano, e laudo pericial confirmou que o prego foi inserido manualmente.

A trajetória política de Jair Júnior sofreu uma sequência de reveses desde o flagrante em março. Ele foi exonerado da presidência da Semasa pela prefeita Carmen Zanotto, se desfiliou do Podemos antes de ser expulso do partido e pediu afastamento do cargo de vice-prefeito. A Câmara de Lages chegou a aprovar a abertura de um processo de impeachment com 15 dos 16 votos, mas a Justiça anulou o procedimento sob o entendimento de que o Decreto-Lei 201/1967 se aplica exclusivamente a prefeitos.

Com a sentença desta quinta-feira, que inclui a perda do mandato eletivo, Jair Júnior passa da condição de réu à de condenado em primeira instância. A decisão judicial também determinou a prisão. Até a última atualização, ele estava internado no Hospital Nossa Senhora dos Prazeres após o acidente na BR-116. O caso segue em andamento.

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