sexta-feira, 22 de maio de 2026
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22 de maio de 2026

Possível uso irregular de veículos em prefeitura da região motiva abertura de CPI

Suspeitas envolvem rotas sem interesse público, falta de transparência sobre motoristas e pagamentos de diárias

Sob forte tensão política, a Câmara de São Ludgero iniciou os trâmites legais para instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e abrir uma investigação independente contra o Executivo. 

O estopim para a criação da comissão foi a suposta divergência entre as justificativas da prefeitura e os dados reais de rastreamento de dois veículos oficiais, um Onix e um Siena, apontados em plenário. 

Nem mesmo a abertura de uma sindicância interna por parte do governo municipal recuou o bloco de vereadores, que se reuniu com assessores jurídicos nesta quinta-feira (21) para formalizar o fato e dar andamento ao pedido de abertura da CPI.

Rastreamento de veículos e falta de respostas

A denúncia começou a ganhar corpo há dois meses, no dia 16 de março. Na oportunidade, o plenário aprovou por unanimidade um requerimento de autoria da vereadora Maria Marlene Schlickmann. O documento exigia que a prefeitura fornecesse relatórios detalhados sobre as viagens de automóveis do município em datas específicas ao longo do ano de 2025.

De acordo com a parlamentar, requerimentos anteriores com o mesmo teor já haviam sido enviados ao Executivo, mas as respostas formais encaminhadas pelo governo não convergiam com a realidade observada nas ruas. 

Maria Marlene obteve as planilhas e registros de rastreamento via satélite de dois carros específicos da frota municipal: um Chevrolet Onix (placa RYA8C31) e um Fiat Siena (placa REI5G25). De posse desses dados e fazendo uso da tribuna da Câmara, a vereadora apontou uma série de trajetos e deslocamentos que, em tese, não possuíam qualquer relação com agendas ou atividades institucionais da prefeitura.

Suspeita em diárias

O foco da futura comissão investigativa vai além do gasto de combustível. Na justificativa das suspeitas, os vereadores apontam para a necessidade de um controle rigoroso na concessão e recebimento de diárias por parte de agentes públicos, além da correta especificação das rotas para fins de empenho e pagamentos de valores indenizatórios.

Outro ponto considerado crítico pelos parlamentares é a ausência de transparência por parte do município em nominar quem eram os condutores que estavam efetivamente no volante dos carros oficiais nas datas mapeadas pelo rastreador.

Investigações paralelas

Diante do desgaste e da pressão do bloco de oposição e de vereadores da base, a própria Prefeitura de São Ludgero confirmou a abertura de uma sindicância administrativa interna para apurar eventuais desvios de conduta na frota. O movimento do Executivo, contudo, não freou o parlamento. A maioria dos vereadores manteve a posição de que o Poder Legislativo tem o dever constitucional de realizar uma auditoria independente e transparente sobre as denúncias.

Após receberem as primeiras orientações legais da assessoria contratada nesta quinta-feira, os vereadores agendaram novas reuniões internas para os próximos dias. Nestes encontros, o bloco deve finalizar a redação do fato determinado e recolher as assinaturas para protocolar formalmente a abertura da CPI na secretaria da Casa.

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