quinta-feira, 21 de maio de 2026
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21 de maio de 2026

Como funciona o novo exame do SUS para detectar câncer de intestino

Proposta é ampliar o diagnóstico precoce e reduzir a necessidade de colonoscopias em pacientes que não apresentam alterações no exame

O Sistema Único de Saúde (SUS) passará a adotar um novo exame para rastreamento do câncer de intestino em pessoas sem sintomas. O anúncio será feito nesta quinta-feira (21/5) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante agenda oficial na França.

O teste escolhido é o FIT, sigla em inglês para teste imunoquímico fecal. Ele será indicado para homens e mulheres entre 50 e 75 anos e funcionará como método inicial de triagem para identificar possíveis sinais da doença.

A proposta é ampliar o diagnóstico precoce e reduzir a necessidade de colonoscopias em pacientes que não apresentam alterações nos exames.

Sinais de alerta do câncer de intestino

  • Presença de sangue na evacuação, seja de vermelho vivo ou escuro, misturado às fezes, com ou sem muco.
  • Sintomas irritativos, como alteração do hábito intestinal e que provoca diarreia crônica e necessidade urgente de evacuar, com pouco volume fecal.
  • Sintomas obstrutivos, como afilamento das fezes, sensação de esvaziamento incompleto, constipação persistente de início recente, cólicas abdominais frequentes associadas a inchaço abdominal.
  • Sintomas inespecíficos, como fadiga, perda de peso e anemia crônica.

Como funciona o teste

O FIT é um exame de fezes que consegue detectar pequenas quantidades de sangue invisíveis a olho nu. Esse sangramento pode estar relacionado à presença de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou até tumores no intestino.

Diferentemente dos exames antigos de sangue oculto nas fezes, o teste utiliza anticorpos específicos para identificar sangue humano, o que aumenta a precisão da análise. Segundo o Ministério da Saúde, a sensibilidade do exame varia entre 85% e 92% para detectar possíveis alterações.

A coleta pode ser feita em casa. O paciente recebe um kit com uma haste própria para retirar uma pequena amostra das fezes, que é colocada em um tubo coletor e enviada para o laboratório.

Caso o resultado apresente alteração, o paciente será encaminhado para exames complementares, como a colonoscopia, responsável por confirmar o diagnóstico.

Entre as vantagens apontadas estão a praticidade e a facilidade de adesão da população. O exame não exige preparo intestinal, não requer dieta restritiva antes da coleta e pode ser feito com apenas uma amostra. Por não ser invasivo, tende a ser melhor aceito por pacientes que evitam a colonoscopia por desconforto ou receio do procedimento.

A expectativa é que a estratégia permita identificar mais casos ainda em fases iniciais, quando as chances de tratamento e cura costumam ser maiores.

Impacto do novo exame

O câncer de intestino está entre os tipos mais frequentes no Brasil. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o país registra mais de 45 mil novos casos por ano.

Para a oncologista Gabrielle Scattolin, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), a inclusão do exame no SUS pode facilitar o acesso ao rastreamento e ajudar a identificar a doença antes do aparecimento de sintomas.

“O câncer de intestino muitas vezes evolui de forma silenciosa. Ao ampliar o acesso a um exame simples, seguro e menos invasivo, conseguimos aumentar as chances de identificar alterações precocemente e iniciar o tratamento no momento mais adequado”, afirma.

Segundo a médica, a medida também pode contribuir para tornar a prevenção mais acessível à população. “Esse é um passo importante para ampliar o diagnóstico precoce no país”, diz.

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