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18 de maio de 2026

Conta de luz vai subir? El Niño pode manter bandeira vermelha por mais tempo

Com menos chuvas e risco maior de seca no Sul e Sudeste, especialistas alertam para aumento nas tarifas de energia e pressão sobre a inflação nos próximos meses

A conta de luz dos brasileiros pode ficar ainda mais cara. Com a influência do fenômeno El Niño e o fim do período chuvoso, especialistas apontam maior risco de acionamento da bandeira vermelha ao longo do ano, o que deve elevar o custo da energia elétrica e pressionar a inflação.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) já acionou a bandeira tarifária amarela neste mês, após meses de bandeira verde. Segundo a agência, a mudança foi motivada pela redução das chuvas na transição entre os períodos chuvoso e seco.

O cenário preocupa principalmente por causa dos efeitos do El Niño, que aquece as águas do Oceano Pacífico e provoca seca em regiões importantes para o sistema elétrico, especialmente no Norte e Nordeste do país.

Atualmente, os reservatórios do Subsistema Sudeste/Centro-Oeste operam com 65,62% da capacidade, segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS). Já o Subsistema Sul está em situação mais delicada, com 46,40% de armazenamento. Norte e Nordeste seguem próximos da capacidade máxima.

Especialistas afirmam que os reservatórios ainda estão em níveis considerados satisfatórios, mas alertam que o desempenho das chuvas nos próximos meses será decisivo para evitar tarifas mais elevadas.

A previsão é de aumento médio de até 9% na energia elétrica neste ano, segundo o economista Flávio Serrano, do Banco BMG. O reajuste pode impactar diretamente o bolso do consumidor e também elevar a inflação.

Em 2025, a energia elétrica residencial acumulou alta de 12,31%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O item foi o de maior impacto individual no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou o ano passado em 4,26%.

O aumento só não foi maior porque o governo federal aplicou R$ 2,2 bilhões em descontos nas tarifas, utilizando recursos provenientes de bônus da Usina Hidrelétrica de Itaipu.

Apesar da expectativa de alta na conta de luz, o setor elétrico brasileiro enfrenta um cenário considerado contraditório: o país produz mais energia do que consome.

Um estudo da consultoria Thymos Energia aponta que existe um desalinhamento entre a operação real do sistema elétrico e os sinais de preço da energia. Na prática, isso significa que parte da alta tarifária pode estar ligada a falhas no modelo de precificação, e não necessariamente à falta de energia.

O excesso de geração tem levado o ONS a interromper parte da produção de energia solar e eólica para evitar sobrecargas no sistema e possíveis apagões.

Segundo cálculos da consultoria Volt Robotics, cerca de 20% de toda a energia renovável que poderia ter sido gerada no Brasil em 2025 acabou sendo descartada. O prejuízo estimado para empresas do setor chegou a R$ 6,5 bilhões.

O que são as bandeiras tarifárias?

As bandeiras tarifárias funcionam como um sistema que indica o custo de geração de energia no país.

  • Bandeira verde: sem cobrança extra;
  • Bandeira amarela: cobrança adicional moderada;
  • Bandeira vermelha: tarifa mais cara devido ao maior custo de geração.

Quando os reservatórios estão baixos, o país precisa acionar usinas termelétricas, que têm custo mais elevado e acabam encarecendo a conta de luz.

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