A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta quarta-feira (8/4) que o Irã se comprometeu, em conversas privadas, a manter aberto o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo. A declaração ocorre em meio a uma escalada de tensões, mesmo após o anúncio de cessar-fogo entre iranianos e norte-americanos.
Durante coletiva de imprensa, Leavitt disse que autoridades iranianas têm adotado discursos distintos em público e nos bastidores. Segundo ela, apesar de relatos sobre um possível fechamento da via marítima, houve aumento recente no tráfego de embarcações.
“Este é um caso em que o que eles dizem publicamente é diferente”, afirmou. “Em conversas privadas, observamos um aumento no tráfego no estreito hoje.”
Leavitt ressaltou que a disposição do presidente Donald Trump em negociar com o Irã está diretamente condicionada à manutenção da rota aberta “sem limitações ou atrasos”.
De acordo com a Casa Branca, até mesmo a eventual cobrança de pedágios por Teerã seria considerada uma restrição inaceitável.
As negociações entre os dois países, classificadas como “extraordinariamente delicadas e complexas”, devem ocorrer a portas fechadas ao longo das próximas duas semanas, desde que o fluxo no estreito seja mantido.

Cessar-fogo sob pressão
- As declarações ocorrem um dia após o anúncio de um cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, mediado pelo Paquistão.
- No entanto, o acordo já enfrenta instabilidade.
- O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o cessar-fogo foi rompido após ataques registrados em território do país.
- Segundo ele, as ilhas de Lavan e Siri, no Golfo Pérsico, foram alvo de bombardeios ao longo do dia. Teerã não atribuiu oficialmente a autoria das ações.
- Em conversa com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, Pezeshkian condenou as violações e defendeu o respeito ao acordo.
- O chanceler iraniano Abbas Araghchi reiterou que o país aceitou o cessar-fogo como base para encerrar o conflito, mas manteve o tom de pressão sobre Washington.
- Segundo ele, os Estados Unidos precisam escolher entre sustentar o acordo ou permitir a continuidade das hostilidades por meio de aliados.



